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Antes de postar novas informações no site, observe, por favor, os 10 mandamentos abaixo. Eles não foram recebidos diretamente de Deus no Monte Sinai — o que significa que estão sujeitos a críticas & reformulações — mas podem ajudar bastante.

  1. Não duplicareis informação. Antes de postar um novo artigo ou um novo link, verificai, por favor, se ele já não está disponível no site.

  2. Não adulterareis o original. Ainda que o “original” possa ser apenas uma presença diferida, como diz Derrida, limitai suas alterações a questões de formatação e à correção de erros óbvios. Sobretudo, não cometais supressões, interpolações, acréscimos e outros vícios monásticos tão freqüentes durante a Idade Média. O contexto histórico, percebei, agora é outro.

  3. Não violareis os direitos autorais. Tende cuidado com a reprodução de textos cujos autores estejam particularmente inadvertidos de que a autoria é apenas um princípio de agrupamento do discurso, como diz Foucault. Ainda que acreditemos todos que a propriedade intelectual é um roubo (que só foi instituído, aliás, depois do advento da Revolução Burguesa), respeitai, por favor, as duras leis. Mas acreditai que, como o direito de acesso à informação é público e assegurado pela Constituição, notícias avulsas do jornal de ontem podem ser reproduzidas livremente. [leia mais sobre nossa política de direitos]

  4. Não deixareis de citar a fonte. A menos que estejais postando aquelas anedotas anônimas que nos chegam por correio eletrônico, informai sempre o lugar de onde os textos foram extraídos, com a data e o endereço eletrônico de sua primeira publicação. Mas tende cuidado com as falsas autorias. Luís Fernando Veríssimo, Clarice Lispector e Jorge Luís Borges são menos prolíficos do que a vã internet nos parece fazer crer.

  5. Não olhareis cara, e vereis coração. Publicai os textos bons dos autores ruins, dos autores desconhecidos e dos autores não titulados; e esquecei os textos ruins dos autores consagrados. Entendei que todo Fernando Sabino tem seu dia de Zélia, a Paixão, e que mesmo Paulo Coelho é capaz de Gita.

  6. Não sereis preconceituoso. Publicai todos os artigos e sites que possam vir a ser de interesse específico da área de Letras, ainda que defendam posição teórica adversária à vossa, que incorram no mais flagrante chauvinismo lingüístico ou literário, ou que estejam vertidos em alguma das maravilhosas variedades desprestigiadas da língua portuguesa. Percebei que aprendemos, principalmente, pelos contraexemplos, e que a Bruna Surfistinha de hoje talvez venha a ser o D. H. Lawrence de amanhã.

  7. Não sereis generalista. Publicai apenas material que seja de interesse específico da área de Letras, ou seja, que tematize a língua ou a literatura. Textos genéricos sobre educação, sobre a decadência moral do Ocidente, ou sobre a influência de Saturno na menstruação das jubartes, ainda que interessantíssimos, devem ser publicados se, e apenas se, ilustrarem fenômenos lingüísticos ou literários relevantes.

  8. Não sereis prisioneiro do tempo. Não, a prosa brasileira não terminou com a morte de Clarice Lispector, e sim, houve vida inteligente na Lingüística antes de Saussure. Não vos preocupeis tanto com a data de publicação dos textos de notícia e opinião, mas prestai atenção, por favor, à data de realização dos concursos e congressos.

  9. Não sereis prisioneiro do espaço. Procurai diversificar as fontes de informação. Quem quer passar além da dor tem que cruzar o Bojador. E não vos preocupeis: não há pecado do lado de baixo do Equador. O ciberespaço é esférico e se navegardes sempre em direção a Oeste chegareis às Índias. Desbravai, pois, novos continentes. A América pode estar ali.

  10. Não falareis apenas de vossa aldeia. Evitai publicar textos próprios com muita freqüência. Se preferirdes, criai um blog, e o listaremos na lista dos blogs. Ou criai uma seção própria, apenas vossa, que reunirá todos os textos de vossa autoria. E principalmente: não useis o site como instrumento de vossa ira, ou como estratégia de adulação.