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ENELIN2009 III Encontro de Estudos da Linguagem II Encontro Internacional de Estudos da Linguagem 14 e 15 de agosto de 2009 Pouso Alegre - MG |
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A imagem da língua nas utopias da língua (URSS – 1910-1920) |
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Prof. Dr. Patrick Sériot Universidade de Lausanne Os anos 1910-1920 na Rússia-URSS marcam uma época de mudanças nas idéias estabelecidas. Intelectuais burgueses moderados tornam-se revolucionários extremistas ou pensadores espiritualistas ou místicos; coloca-se em prática toda uma série de tentativas de “síntese” entre as correntes a priori incompatíveis (marxismo e cristianismo em particular). As utopias de língua representam um domínio imenso, ainda que, até hoje, pouco explorado, da história das idéias lingüísticas na Europa Oriental. Nós apresentaremos três tipos de textos. 1. A literatura de ficção, com A. Bogdanov, o teórico da proletkult (promotor da idéia de que a cultura proletária não tem nenhuma relação com a cultura burguesa, a tal ponto que possui uma língua diferente). No romance “A estrela vermelha” (1908), ele apresenta uma humanidade marciana tendo feito sua revolução socialista e falando uma língua que possui caracteres de regularidade e harmonia desconhecidas das línguas dos planetas da Terra. 2. Os projetos de comunicação com os extra-terrestres dos irmãos Gordin (1927) por uma escrita universal ao mesmo tempo transparente e poética. 3. Um tratado de “lingüística exata”, ou língua filosófica, de Jakob Lincbax (1916). Mas não é suficiente apresentar textos tão surpreendentes e exóticos: o objetivo desta exposição é o de mostrar a lógica comum dessas reflexões sobre a língua, repousando sobre a recusa total do arbitrário do signo, da autonomia do significante. Procuraremos reconstituir uma longa linhagem crátilo-humboldtiana, fortemente presente na Rússia graças ao conluio entre os príncipes neo-platônicos da Igreja oriental e á recepção muito positiva do romantismo alemão depois da vitória contra Napoleão em 1812. Faremos também paralelos com os grandes temas lingüísticos de um poeta como Mallarmé. Em conclusão, procuraremos algumas vias de exploração do lado da psicanálise, apoiando-nos sobre o livro de Otto Rank “O traumatismo do nascimento”(1927). |
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