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ENELIN2009 III Encontro de Estudos da Linguagem II Encontro Internacional de Estudos da Linguagem 14 e 15 de agosto de 2009 Pouso Alegre - MG |
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Reflexões acerca do funcionamento da noção de língua no Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul |
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Verli Petri (UFSM)
A noção de língua tem sido bastante discutida no âmbito da Análise de Discurso, revelando diferentes modos de abordagem e fazendo emergir as diferenças entre língua materna e língua nacional; língua estrangeira e segunda língua; língua imaginária e língua fluida, para citar algumas. É na esteira destas reflexões que inscrevemos nosso trabalho que objetiva trazer à baila o funcionamento da noção de língua no processo de dicionarização de termos regionalistas do/no Rio Grande do Sul. Trata-se de um espaço simbólico e territorialmente marcado pela diferença, seja ela em relação aos “gauchos” da Argentina e do Uruguai, seja ela em relação aos brasileiros de outros estados da federação. De fato, observamos que a produção cultural, artística e literária de cunho regionalista riograndense do sul é marcada pela presença constante do mito do gaúcho, revelado na imagem do “centauro dos pampas”, bem como é representada por um vocabulário bastante específico, marcado pela oralidade, muito mais próximo da representação de uma “língua fluida” do que de uma “língua imaginária” (noções discutidas por Orlandi, 2009). No entanto, observamos que essa linguagem regionalista do sul do Brasil também passa pelo processo de tecnologização, através do qual são produzidos instrumentos linguísticos especialmente concebidos como espaço de manutenção, colocando em funcionamento um imaginário de língua regional. Trata-se da manutenção de saberes, da manutenção de uma história (na qual ficção e realidade se misturam), da manutenção de uma identidade dita como “gaúcha”, via língua. Sabemos que é pela instrumentalização dessa linguagem regionalista que se torna viável, em muitos casos, a leitura de textos artísticos-literários produzidos sob o título de “gauchescos”, pois é pelo funcionamento desta tecnologia que se realiza o efeito ilusório de contensão do processo de produção de sentidos. É sob tais condições de produção que apresentamos o Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul, de Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes, publicado em 1982 (atualmente na 11ª edição), como objeto discursivo, por nós estudado nos últimos anos. Para este trabalho nos deteremos especialmente em dois verbetes: “linguagem gauchesca” e “poesia gauchesca”, nos quais é possível observar o funcionamento da noção de língua em suas relações com as formas de identificação do sujeito gaúcho. Tais verbetes nos conduzem a refletir também sobre as relações entre língua e literatura, tendo em vista que o dicionário apóia-se essencialmente na produção literária, seja para tentar conter os processos de produção de sentidos, seja para instrumentalizar um leitor ainda jovem ou que desconheça a linguagem regionalista. |
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