ENELIN2009

III Encontro de Estudos da Linguagem

II Encontro Internacional de Estudos da Linguagem

14 e 15 de agosto de 2009

Pouso Alegre - MG

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Pintura e fotografia: motivação para leitura e escrita

Aurélio Takao Vieira Kubo (Escola Albert Einstein)

Há tempos os programas oficiais e manuais pedagógicos já incorporam a noção de letramento. Contudo, o ensino de língua ainda não conseguiu aplicá-la completamente no cotidiano das salas de aula. Dessa forma, não se pode dizer que a escola realmente consiga garantir competências e habilidades para a leitura de textos verbais e não-verbais. Neste trabalho, discutiremos duas faces do problema leitura: a leitura de textos pictóricos e fotográficos, bem como o seu lugar no ensino de língua. As justificativas para esse recorte lastreiam-se em duas razões básicas: 1) promover uma educação do olhar pelo contato com objetos estéticos; 2) aumentar as probabilidades de alcance da zona de desenvolvimento proximal, já que, na imagem, certos conceitos tornam-se mais concretos que no texto verbal. O texto – objeto de leitura – precisa ser ampliado para abarcar também a imagem. Para isso, a noção de discurso torna-se crucial. Dessa forma, nossa fundamentação teórica considera discurso como uma parcela dos ideais e concepções de um grupo social determinado, numa época determinada. Grupos sociais diferentes geram ideias divergentes entre si. Assim, os discursos diferenciam-se e identificam-se no permanente confronto. Um discurso pertence ao plano do conteúdo é veiculado por textos. O texto é da ordem da manifestação, ou junção de um conteúdo a um plano de expressão; é a materialização das idéias nos mais diversos meios de expressão: a língua (escrita e falada), a pintura, a fotografia etc. Cada plano de expressão tem suas potencialidades e restrições. Um plano de expressão não apenas veicula um conteúdo, mas também o recria e agrega-lhe novos sentidos. Com uma definição ampliada de texto, a pintura e a fotografia já não causam estranhamento em uma aula de língua portuguesa. A partir daí, podem-se buscar analogias entre o verbal e o não-verbal. Conceitos como discurso, texto; narração, descrição, foco narrativo; metáfora, metonímia; pressupostos e subentendidos, entre outros, tornam-se mais concretos quando se confrontam textos verbais e imagens. E, conforme buscaremos demonstrar neste trabalho, também a escrita tem a ganhar com a leitura de imagens. A experiência mostra evoluções na estruturação global dos textos; na construção de referências; e na coesão, uma vez que as retomadas anafóricas da imagem exigem alto grau de precisão nas nomeações. Assim como a seleção de qualquer conteúdo, a escolha dos textos não-verbais não prescinde de um posicionamento político. Considerando que um dos objetivos é enriquecer o universo cultural dos alunos, a escolha de imagens altamente valorizadas soa mais coerente que a decisão de trabalhar com charges, publicidade e quadrinhos. Outra questão importante diz respeito às temáticas exploradas. Por exemplo, certa unidade pode ser encontrada em telas de Candido Portinari e em fotografias Sebastião Salgado nas ocasiões em que eles tematizam o homem brasileiro e seu trabalho. Esses mesmos temas podem ser confrontados em outras estéticas anteriores, o que dá motivos para acionar noções como a de discurso, manutenção e ruptura de tradições estéticas.