ENELIN2009

III Encontro de Estudos da Linguagem

II Encontro Internacional de Estudos da Linguagem

14 e 15 de agosto de 2009

Pouso Alegre - MG

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As "regras” e a "fábrica de língua” nas gramáticas francesas da Idade Clássica

Prof. Dr. Jean Marie Fournier

Universidade de Paris III

A exposição vai abordar a questão do estatuto do exemplo no discurso gramatical no século XVII e XVIII, através de um corpus representativo das gramáticas (Maupas, Oudin, Chifflet, Port-Royal, Régnier, Buffier, Girard, Beauzée). A hipótese do exemplo como seqüência autonímica dá conta só parcialmente do funcionamento semiótico desses enunciados, que, além disso, se manifesta sob uma certa diversidade. Em muitos casos, o exemplo vem acompanhado de marcas, ou comporta, ele próprio, marcas, que o constituem como representando um conjunto de enunciados. A introdução do exemplo no discurso gramatical conduz assim a convocar não um fato particular e singular mas uma classe de enunciados análogos cujo exemplo constitui de algum modo a matriz. A exposição vai se dedicar a destacar as marcas, nos discursos dos gramáticos, desse funcionamento semiótico específico: procedimentos de ligação do exemplo e do discurso gramatical, palavras metalingüísticas que designam o exemplo, estatuto semântico-referencial do léxico, uso dos pronomes que tornam impossível a construção de uma referência. O conjunto dessas marcas, dessas formas de discurso, constitui técnicas inventadas pelos gramáticos para reger esse problema elementar e constitutivo do discurso gramatical: a representação dos fatos lingüísticos e dos dados que a gramática procura descrever. Veremos, por exemplo, que o comentário dos exemplos torna necessárias as anáforas de um tipo particular que conserva o estatuto autonímico da seqüência comentada. Em outros casos, bastante numerosos igualmente, os exemplos se dão como pedaços de discurso relatado (as citações de autores, por exemplo, entre outros) e permanecem interpretáveis após colocar-se em relação com um universo de discurso identificável. Os exemplos nas gramáticas (como nos dicionários) constituem um discurso seguido.