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ENELIN2009 III Encontro de Estudos da Linguagem II Encontro Internacional de Estudos da Linguagem 14 e 15 de agosto de 2009 Pouso Alegre - MG |
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Construindo o significado de ser leitor em língua portuguesa: uma análise das interações numa turma bilíngue de alunos surdos |
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Giselli Mara da Silva (UFMG) Maria Lúcia Castanheira (UFMG)
Numa proposta de educação bilíngüe para surdos, o ensino do português se dá sob a perspectiva de ensino de segunda língua e o acesso do aluno a essa “nova língua” ocorre, primordialmente, através da escrita (FERREIRA-BRITO, 1993; QUADROS, 1997; FERNANDES, 1999; COSTA, 2001). Em geral, a primeira língua da pessoa surda é uma língua espaço-visual e o contato com o texto escrito provoca uma ruptura com as práticas de linguagem até então vivenciadas por ela. Esse aspecto torna o processo de aprendizagem da leitura vivenciado pela pessoa surda diferenciado daquele vivenciado por ouvintes, que aprendem a ler na mesma língua da interação face a face (CHAVES, 1998; BOTELHO, 2002; LÓDI; HARRISON; CAMPOS, 2003). Pretende-se, então, nesta apresentação, examinar como os participantes da sala de aula – alunos surdos e professora ouvinte – constroem e reconstroem o que significa “ser letrado” em LP, mais especificamente, de “ser leitor”, observando-se as relações que estabelecem entre a Libras e a língua portuguesa durante a leitura de textos e analisando-se como lidam com as diferenças entre tais línguas. Estamos assumindo que a construção do significado de letramento é construído localmente por participantes de um grupo social que, ao longo de suas interações, estabelecem papéis e relações, direitos e deveres, demandas e expectativas de participação nas práticas letradas (BORKO & EISENHART, 1989; BLOOME, 1989; CASTANHEIRA, 2007). Para observar esse processo adotamos uma abordagem interpretativista da aprendizagem e a etnografia interacional como lógica de pesquisa (CASTANHEIRA, 2004; GREEN, DIXON & ZAHARLICK, 2005). Os dados analisados foram coletados por meio de observação participante (SPRADLEY, 1998), gravação em vídeo, entrevistas e cópias de artefatos (cadernos, atividades, etc.), numa escola da rede pública municipal de Belo Horizonte, durante três meses. Constatou-se que os participantes da sala de aula lidam com o processo de leitura em segunda língua mediado pela língua de sinais de diferentes formas, desde a utilização do português sinalizado até a criação de um novo texto em Libras a partir dos textos em língua portuguesa. |
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