ENELIN2009

III Encontro de Estudos da Linguagem

II Encontro Internacional de Estudos da Linguagem

14 e 15 de agosto de 2009

Pouso Alegre - MG

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Análise comparativa de dois casos de ensino-aprendizagem de língua inglesa para alunos com deficiência auditiva em escolas regulares

Clarissa da Silva Bueno (Univás)
Sandra Maria da Silva Sales Oliveira (Univás)
Denise Aparecida Gomes dos Santos (Univás)


A educação inclusiva é uma tendência que há alguns anos tem ganhado força no cenário nacional. Porém, apesar do suporte legal o processo de inclusão tem levado professores a enfrentar problemas difíceis, quase sempre em situações inesperadas, até mesmo porque não são todos que estão dispostos a adequar sua prática pedagógica às necessidades destes indivíduos, para que o processo de ensino-aprendizagem seja, realmente, eficaz. Durante a Antiguidade e por quase todo o período da Idade Média, o surdo foi visto, até mesmo por leis, como um ser irracional, primitivo, não educável, não cidadão, pessoas castigadas e enfeitiçadas, doentes privados de alfabetização e instrução, forçados a fazer os trabalhos mais desprezíveis, além de viverem sozinhos e abandonados na miséria. Para Vygotsky a surdez é a deficiência que causa maiores danos no ser humano, pois ela atinge exatamente a função que desenvolve a fala, a linguagem e todas as suas utilizações. Se o ensino de Língua Portuguesa para o deficiente auditivo, em uma escola inclusiva, é um grande desafio para que o processo de ensino-aprendizagem seja eficaz, imaginemos então o processo de ensino-aprendizagem de Língua Inglesa, sabendo que esta língua possui sons que a Língua Portuguesa não têm, como por exemplo, o som do /th/. Assim, esta pesquisa teve por objetivo relatar dois casos de inclusão de alunos com deficiência auditiva nas escolas, particular e privada, regulares inclusivas e contribuir para uma melhora no processo de ensino-aprendizagem da Língua Inglesa para estes educandos, analisando quatro tópicos: a) a escola inclusiva capacita seus educadores?; b) reações entre professor/alunos, alunos/aluno inclusivo; c) didática utilizada pelo professor de Língua Inglesa, d) posição da família perante a inclusão em escolas regulares. Neste ambiente encontramos alunos e professores ouvintes, falantes da Língua Portuguesa, alunos com deficiência auditiva, não falantes de LIBRAS e que usam aparelhos de amplificação sonora, envolvidos na tarefa de ensinar/aprender a Língua Inglesa. A pesquisa foi realizada a partir de uma abordagem qualitativa de natureza etnográfica. Os dados foram coletados a partir de observações de aulas, registro de campo, visita nas escolas e entrevistas com os responsáveis pelos alunos participantes. O estudo foi desenvolvido em duas escolas regulares de ensino, sendo uma escola pertencente à rede particular de ensino, e a outra pertencente à rede estadual de ensino de Pouso Alegre, MG. Participaram da pesquisa, dois professores de Língua Inglesa e dois alunos com deficiência auditiva, sendo um professor e um aluno de cada escola. Constatou-se a dificuldade e o despreparo dos professores em lidar com os alunos inclusivos e, muitas dessas dificuldades, emergem de crenças relacionadas a eles. Observou-se três crenças: 1ª) Não é preciso saber Língua de Sinais [para ensinar alunos com deficiência auditiva], basta falar alto e devagar que eles entendem. 2ª) Ensinar inglês para alunos “normais” em escola pública já não é fácil, imagine então ensinar inglês para alunos surdos em escola pública. 3ª) Eles [alunos com deficiência auditiva] não sabem nem o português direito, imagine o inglês. Ficou evidente que existe uma grande diferença no processo de ensino-aprendizagem entre as escolas regulares inclusivas: enquanto uma preocupa-se em melhorar o processo de ensino-aprendizagem de língua estrangeira atendendo às diferenças dos alunos, sem diferenciar o ensino para cada um, a outra continua servindo como meio de reprodução de cultura e ideologias dominantes no ensino de línguas, “marginalizando” todo aquele que se mostra diferente, acreditando na “incompetência” ou “incapacidade” de aprendizagem destes alunos. O educando não é apenas o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao outro o que o seu grupo social produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento. Vale frisar que é o educador quem modifica seu processo de ensino (metodologia) para facilitar a aprendizagem. O seu trabalho, aliado ao de alunos e pais, com a colaboração de todos os participantes interessados em uma educação inclusiva de qualidade, pode trazer mudanças significativas à realidade educacional brasileira. Espera-se que se este trabalho venha a contribuir para a reflexão de muitos profissionais envolvidos no ensino da Língua Inglesa para deficientes auditivos. Tal reflexão será o primeiro passo para novas metodologias de ensino-aprendizagem desta língua para portadores de deficiência auditiva no contexto regular de ensino.