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Clarissa da
Silva Bueno (Univás)
Sandra Maria da Silva Sales Oliveira (Univás)
Denise Aparecida Gomes dos Santos (Univás)
A educação inclusiva é uma tendência que há alguns
anos tem ganhado força no cenário nacional. Porém, apesar do suporte
legal o processo de inclusão tem levado professores a enfrentar
problemas difíceis, quase sempre em situações inesperadas, até mesmo
porque não são todos que estão dispostos a adequar sua prática
pedagógica às necessidades destes indivíduos, para que o processo de
ensino-aprendizagem seja, realmente, eficaz. Durante a Antiguidade e
por quase todo o período da Idade Média, o surdo foi visto, até
mesmo por leis, como um ser irracional, primitivo, não educável, não
cidadão, pessoas castigadas e enfeitiçadas, doentes privados de
alfabetização e instrução, forçados a fazer os trabalhos mais
desprezíveis, além de viverem sozinhos e abandonados na miséria.
Para Vygotsky a surdez é a deficiência que causa maiores danos no
ser humano, pois ela atinge exatamente a função que desenvolve a
fala, a linguagem e todas as suas utilizações. Se o ensino de Língua
Portuguesa para o deficiente auditivo, em uma escola inclusiva, é um
grande desafio para que o processo de ensino-aprendizagem seja
eficaz, imaginemos então o processo de ensino-aprendizagem de Língua
Inglesa, sabendo que esta língua possui sons que a Língua Portuguesa
não têm, como por exemplo, o som do /th/. Assim, esta pesquisa teve
por objetivo relatar dois casos de inclusão de alunos com
deficiência auditiva nas escolas, particular e privada, regulares
inclusivas e contribuir para uma melhora no processo de
ensino-aprendizagem da Língua Inglesa para estes educandos,
analisando quatro tópicos: a) a escola inclusiva capacita seus
educadores?; b) reações entre professor/alunos, alunos/aluno
inclusivo; c) didática utilizada pelo professor de Língua Inglesa,
d) posição da família perante a inclusão em escolas regulares. Neste
ambiente encontramos alunos e professores ouvintes, falantes da
Língua Portuguesa, alunos com deficiência auditiva, não falantes de
LIBRAS e que usam aparelhos de amplificação sonora, envolvidos na
tarefa de ensinar/aprender a Língua Inglesa. A pesquisa foi
realizada a partir de uma abordagem qualitativa de natureza
etnográfica. Os dados foram coletados a partir de observações de
aulas, registro de campo, visita nas escolas e entrevistas com os
responsáveis pelos alunos participantes. O estudo foi desenvolvido
em duas escolas regulares de ensino, sendo uma escola pertencente à
rede particular de ensino, e a outra pertencente à rede estadual de
ensino de Pouso Alegre, MG. Participaram da pesquisa, dois
professores de Língua Inglesa e dois alunos com deficiência
auditiva, sendo um professor e um aluno de cada escola. Constatou-se
a dificuldade e o despreparo dos professores em lidar com os alunos
inclusivos e, muitas dessas dificuldades, emergem de crenças
relacionadas a eles. Observou-se três crenças: 1ª) Não é preciso
saber Língua de Sinais [para ensinar alunos com deficiência
auditiva], basta falar alto e devagar que eles entendem. 2ª) Ensinar
inglês para alunos “normais” em escola pública já não é fácil,
imagine então ensinar inglês para alunos surdos em escola pública.
3ª) Eles [alunos com deficiência auditiva] não sabem nem o português
direito, imagine o inglês. Ficou evidente que existe uma grande
diferença no processo de ensino-aprendizagem entre as escolas
regulares inclusivas: enquanto uma preocupa-se em melhorar o
processo de ensino-aprendizagem de língua estrangeira atendendo às
diferenças dos alunos, sem diferenciar o ensino para cada um, a
outra continua servindo como meio de reprodução de cultura e
ideologias dominantes no ensino de línguas, “marginalizando” todo
aquele que se mostra diferente, acreditando na “incompetência” ou
“incapacidade” de aprendizagem destes alunos. O educando não é
apenas o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao
outro o que o seu grupo social produz, tal como: valores, linguagem
e o próprio conhecimento. Vale frisar que é o educador quem modifica
seu processo de ensino (metodologia) para facilitar a aprendizagem.
O seu trabalho, aliado ao de alunos e pais, com a colaboração de
todos os participantes interessados em uma educação inclusiva de
qualidade, pode trazer mudanças significativas à realidade
educacional brasileira. Espera-se que se este trabalho venha a
contribuir para a reflexão de muitos profissionais envolvidos no
ensino da Língua Inglesa para deficientes auditivos. Tal reflexão
será o primeiro passo para novas metodologias de ensino-aprendizagem
desta língua para portadores de deficiência auditiva no contexto
regular de ensino.
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