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ENELIN2009 III Encontro de Estudos da Linguagem II Encontro Internacional de Estudos da Linguagem 14 e 15 de agosto de 2009 Pouso Alegre - MG |
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realização
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Recursos utilizados na aprendizagem de Libras como L2 |
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Elidéa Lúcia Almeida Bernardino (UFMG) Rosana Passos (UFMG)
A língua de sinais é uma língua de modalidade espaço-visual (FERREIRA-BRITO, 1995) que possui os mesmos aspectos lingüísticos que as línguas orais, tais como fonologia, sintaxe, semântica e morfologia. Entretanto, por ter uma produção manual e uma percepção visual, usa o espaço físico e o próprio corpo do sinalizador para a execução do conteúdo da mensagem visual. A exploração do espaço físico e o uso do próprio corpo são importantes elementos na interação. Esse uso do espaço físico favorece a iconicidade, uma vez que o espaço é mais “palpável” do que o tempo, que é a dimensão utilizada pelas línguas orais-auditivas (FERREIRA, 1997). Contudo, nem todo sinal é icônico, uma vez que a iconicidade, segundo Ferreira, não é universal. Ela depende dos referentes e da cultura de cada grupo sinalizador. Além disso, toda iconicidade é convencional, uma vez que existem sinais mais ou menos icônicos na Libras (QUADROS & KARNOPP, 2002: 31-32). Na morfologia das línguas de sinais, destacam-se os classificadores que fazem parte do núcleo lexical (QUADROS & KARNOPP, 2002) dessas línguas. Eles são responsáveis pela formação da maioria dos sinais já existentes, assim como pela criação de novos sinais. Os classificadores, por serem na maioria das vezes icônicos, lembram de alguma forma os gestos que acompanham a fala. Por esse motivo, também são muitas vezes confundidos com gestos, embora tenham características distintas e regras de formação bem claras. Neste trabalho, investigam-se quais recursos potencializam a aprendizagem de Libras como L2, tendo como objetivo a análise do uso de classificadores, de mímica e gestos naturais na elaboração de uma narrativa em Libras. A principal questão levantada é: Os alunos que apresentam maior facilidade para a produção de gestos e expressão corporal teriam um melhor desempenho na aprendizagem da Libras? A primeira hipótese deste trabalho é que o uso da gestualidade e de expressões corporais é um facilitador da aprendizagem de classificadores da Libras. A segunda hipótese é que a iconicidade influencia o tipo de classificador mais utilizado pelos alunos, ou seja, os classificadores mais icônicos seriam os mais utilizados no início da aprendizagem. A metodologia de trabalho utilizada foi observação participante, com a filmagem de textos em Libras, elaborada por dois grupos de alunos, aprendizes de Libras como L2. O primeiro grupo era composto de quatro alunos e o segundo grupo de seis alunos, numa faixa etária de 20 a 29 anos. Sete desses alunos já possuíam um conhecimento introdutório de Libras, e três deles nunca haviam tido nenhum contato com a língua. Solicitou-se que os participantes produzissem uma narrativa em Libras de tema livre, utilizando os recursos de classificadores aprendidos em aula. O primeiro grupo produziu um vídeo com duração de 3’54” min. e a filmagem do segundo grupo durou 5’21” min. Não houve a participação ou intervenção do professor na produção das narrativas. Os vídeos foram analisados qualitativamente pelos pesquisadores quanto ao tipo de recurso utilizado: classificadores, mímica ou gestos naturais. Buscou-se investigar o uso da gestualidade e de expressões corporais como um facilitador da aprendizagem de classificadores da Libras e também se os classificadores mais utilizados eram os mais icônicos. Os classificadores produzidos por cada participante nas narrativas foram identificados conforme os tipos de classificadores existentes na Libras (BERNARDINO, 2006) e sumarizados numa tabela. Constatou-se que, dentre os 10 participantes dos dois grupos, os dois tipos de classificadores mais icônicos apresentaram um maior número de ocorrências, confirmando a segunda hipótese. Porém, a primeira hipótese não foi confirmada, já que o participante que utilizou mais mímica e gestos naturais não foi o que mais produziu classificadores de qualquer tipo. Pesquisas sobre o ensino da Libras como segunda língua (L2) são ainda incipientes, assim como o ensino da ASL – Língua de Sinais Americana – (ver TAUB et. al., 2006 sobre o ensino de ASL como L2), no entanto têm-se configurado como um tópico relevante tanto para as áreas da Lingüística quanto para o Ensino de línguas. Além disso, compreender o processo de aprendizagem da Libras como L2 poderá contribuir para a inclusão das pessoas surdas. |
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